Literatura nacional: Notas de um megalomaníaco minimalista, de Matheus Peleteiro


Matheus Peleteiro


        Título: Notas de um megalomaníaco minimalista

Autor: Matheus Peleteiro

Ano: 2016

Páginas: 84

ISBN: 9788581089096

Editora: Giostri

Categoria: Literatura Brasileira - Novela

   

      “Passei a carregar essa coisa em mim, essa vontade de não ser só mais um cara existindo.” (p.55)
Essa foi uma das razões as quais levaram o escritor baiano Matheus Peleteiro a publicar esse seu segundo livro, o Notas de um megalomaníaco minimalista. Narrada em primeira pessoa, essa novela nos relata sobre o encontro e os instantes vividos por Letícia e esse narrador megalomaníaco. Temos aqui um relato corajoso, inquietante e cativante.
Tarde de sábado. Eles estão de frente pro mar. Dialogam sobre suas experiências de vida. Debatendo como cada um se insere no meio em que vivem, eles fazem uma breve análise das “dores do mundo” – termo schopenhaueriano encontrado três vezes no livro, pra termos uma leve ideia do que se trata. Vários assuntos são abordados, e o autor nos revela o que pensa sobre temas como: humanidade, globalização, religião, amor, morte, artes – literatura, cinema, música, etc. Olhando mais de perto, esse narrador egocêntrico nos mostra seus medos, angústias, indiferença, desejo de imortalidade, a busca por um sentido da vida, suas referências artístico-históricas – ele escreve pra falar de si, e deixa isso claro logo nas primeiras páginas.
Eu vejo como algo elogiável essa coragem de se expor. Realmente percebemos que parte do charme desse livro está na ousadia das confissões. Esse teor autobiográfico é uma característica comum entre os primeiros livros de um autor. Mas não vejo em muitos livros alguém confessando que ver na escrita “a maneira que tenho de fazer ecoar minhas ideias pela eternidade” (p.70). Outra coisa interessante e que foge do modismo: não é um livro sobre acontecimentos, é um livro sobre ideias. Não é apenas um livro pra entreter, mas também pra incomodar.
Notas sobre a personagem Letícia: inteligente, bonita, sagaz. Sabe a hora de falar e a hora de calar. Usa muito bem as palavras. Traz as ideias ao mundo através de um fluxo contínuo. É empática e dotada de um grande poder de concentração. Letícia é aquele tipo de personagem que o autor cria pra continuar falando de si sob outro ângulo – uma “Eu do sexo oposto”. E quando não é a extensão da projeção de si, ela é o ideal – a meta, um protótipo de ser humano a ser alcançado pelo criador. Uma personagem interessante.
Confesso que estava esperando uma linguagem mais “suja”. Aqueles pequenos detalhes (minimalismos, pra usar um termo do autor) como expressões, gírias, palavrões, poderiam dar um brilho a mais nos diálogos. Por vezes soam como um empilhamento de ideias. Mas é uma questão própria de estilo, e isso está longe de tirar a profundidade do livro.
Um livro pequeno. Essa primeira edição conta com apenas 84 páginas. Mas nenhum livro foi escrito pra ser lido em três horas. Mesmo que se consiga a façanha de passar os olhos sobre essas 84 páginas em três horas, esse livro ainda continuará dizendo algo. Continuará sendo lido. Não é a quantidade de página que determina em quanto tempo um livro será lido, mas seu conteúdo. E Notas de um megalomaníaco minimalista é um daqueles livros que continuam ecoando mesmo depois de fechados. Matheus Peleteiro nos dá um livro que nos estimula a acreditar na literatura nacional contemporânea.

Referências bibliográficas:
PELETEIRO, Matheus. Notas de um megalomaníaco minimalista. Editora: Giostri, São Paulo-SP, 1ª ed. 2016.

Links:
Livro na Giostre:

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